quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Kabengele e a estratégia da vitimização - 4ª Parte

Demétrio Magnoli

[notas sobre um debate que não existiu – IV]

Existem vítimas e existe a estratégia política da vitimização. A solidariedade às primeiras não requer a condescendência com a segunda. Kabengele Munanga apresenta-se, no seu texto comprido (veja os posts anteriores), como um “negro” vitimado por um “branco”. Mais ainda, como um “estrangeiro” e “africano” vitimado por um “nacional” (e “eurodescendente”, bem entendido...). A farsa não teria maior importância, se não ajudasse a desvendar uma estratégia geral do racialismo para circundar o debate substantivo de ideias.

Escreve Munanga:

“Mas por que só o meu nome mencionado? Porque sou o mais fraco, pelo fato de ser brasileiro naturalizado, ou o mais importante, por ter chegado ao ponto mais alto da carreira acadêmica? Isso parece incomodá-lo bastante! Um negro que chegou lá, ao topo da carreira acadêmica, numa das melhores universidades do país, mas nem por isso esse negro deixou de ser solidário, pois milita intelectualmente para que outros negros, índios e brancos pobres tenham as mesmas oportunidades.”

No meu artigo original só mencionei Munanga pois não escrevo colunas de 24 mil caracteres e, também, porque ele é mais franco que seus pares na exposição do pensamento racialista. Minha mãe é brasileira naturalizada. Chegou ao Brasil criança, numa família que fugia do fascismo de Mussolini. Não é “fraca” por isso. No Brasil, tem direitos políticos iguais aos demais, assim como Munanga. E não posa de vítima por aí.

Munanga não é “fraco” hoje. Ele tem ao seu lado uma rede de ONGs financiadas a fundo perdido por fundações filantrópicas bilionárias, além do aparelho estatal brasileiro, que propaga sua doutrina racial com dinheiro de todos nós. Ele mesmo expõe no seu texto a sua força acadêmica, que não me incomoda nem um pouco. Acho apenas um tanto ridículo a fabricação implícita de uma biografia do “negro que veio de baixo” e venceu na vida acadêmica. É que o antropólogo nunca esteve embaixo.

Nascer na África não é igual a estar embaixo. Munanga nasceu no Congo Belga e tornou-se o primeiro antropólogo formado na Universidade Oficial do Congo, em 1969, no tempo em que o país se chamava Zaire e vivia sob a ditadura de Mobutu Sese Seko. Isso significa que ele pertencia à diminuta elite intelectual e social do seu país. Foi nessa condição que obteve uma bolsa de estudos de pós-graduação, começou seu doutorado na Bélgica e o concluiu já no Brasil, defendendo tese na USP. Do que ele está reclamando, afinal?

A auto-comiseração de Munanga seria apenas patética, se nada revelasse além de um recurso para atrair a simpatia dos ingênuos. Mas ela é, além disso, uma outra coisa. No pensamento racial, uma pessoa de pele escura é um “negro”: o representante de uma raça. Um “negro” é um “afrodescendente”, mesmo se não nasceu na África, pois a África é figurada como a pátria de uma raça. Isso significa que um “negro” personifica os “africanos”. Na linguagem mágica do racialismo, ele personifica um povo na diáspora, retirado à força do paraíso ancestral pelo tráfico escravista operado por representantes da “raça branca”.

A narrativa racialista tem como ponto de chegada o conceito de “reparação histórica”: uma dívida da “raça branca” para com a “raça negra”. Uma decorrência disso: um “branco” (no caso, eu) está proibido de criticar ideias difundidas por um “negro” (no caso, ele). Uma segunda decorrência: um “negro” de classe média deve obter privilégios no vestibular da UNB pois “representa” os antigos escravos. A terceira decorrência: os intelectuais “negros” devem ser reconhecidos como representantes dos “negros” pobres em geral (no caso de Munanga, um homem com altas ambições, ele também quer representar os “índios” e os “brancos pobres”).

Sinto muito. Sou só um indivíduo e não vejo em Munanga nada além de um indivíduo.

28 comentários:

favelazero disse...

Meu caro Demétrio,

Eu concordo com a racialização porque ela já existe na prática; o que vc talvez não ache confortável é a conscientização disso, pois eu sendo negro sei muito bem que existe um racismo violento no Brasil, com apharteid e tudo.

É hipocrisia isso de dizer que se está preocupado que o Brasil não se torne um país racista, racista ele já é!

O que não querem é que os negros também se tornem racistas.

O Brasil é o país mais racista do mundo!

Eu não me preocupo com o que os brancos pensam se eu tiver dinheiro, oportunidade e respeito entendeu ?

No Brasil se trabalha por nada ou quase nada (R$ 465,00).

E isso precisa acabar, pois a maioria dos negros vivem na extrema escravidão fruto de um legado de injustiça social apoiada por um sentimento de desprezo racial.

A racialização deu certo nos Estados Unidos não por acabar com o racismo mas por fazer o negro assumir sua indignação e lutar para acabar com a injustiça.

O Senhor sendo branco e sendo contra as políticas de emancipação da raça negra está bem posicionado, é natural da sua raça.

Está tudo muito claro.

Vc é branco e é contra as políticas afirmativas raciais e eu sou negro e sou favor, tá tudo certo!

Nós já entendemos tudo.

Salário mínimo é pior que trabalho escravo, pois os que o ganham não tem direito de ir nem de vir e nem de pensar, pois se pensar muito vai querer mudar esse estado de coisas.

Não é assim?

. disse...

Não é assim. Certamente não o é. Não somos racistas e somos contra o racismo. Você diz que as ações afirmativas venceram nos EUA, mas parece ignorar a realidade crucialmente diferente entre os dois países paradigmas. De um lado, nos EUA, houve a criação de um Estado racializado. A todo o tempo o Governo fazia leis que impediam que os negros tivessem acesso aos direitos. Não podiam estudar em colégios decentes, não podiam frequentar parques públicos, não podiam frequentar bares, pois pelo sistema de segregação institucional, havia direitos separados para brancos e para negros. Este blog serve justamente para esclarecer umas lendas urbanas que existem por aí, como por exemplo a falsa idéia de que "Aqui no Brasil o racismo é pior, porque é oculto". Não entendo como um racismo oculto possa ser pior do que o racismo declarado, ostensivo e praticado como política de Estado.
O que você talvez não perceba é que na hora em que o Estado Brasileiro assumir a idéia de raça como um elemento estatal, vai passar a imagem de que é certo dividir e segregar, ou seja, que os negros são "seres" diferentes. Ora, somos todos humanos! Raças não existem! E existem duas formas de resolver o problema de integração do negro sem ter de apelar para o ônus da implementação de um Estado racializado (e quando falo do ônus, refiro-me ao problema do surgimento do conflito étnico ostensivo, como aconteceu nos EUA e em Ruanda): 1)Combater com o máximo de rigor o racismo, o preconceito e a discriminação, com penas bastante severas para quem praticar estes nefastos crimes; 2) Implementar a política de cotas sociais. Já que 70% dos negros são pobres, na medida em que se implementam cotas sociais, ajudam-se os negros pobres, que são aqueles que mais precisam dos benefícios estatais.
É como penso.
Roberta Fragoso Kaufmann

Ubolano disse...

Parabens ! Muito bom esse blog !

favelazero disse...

Meu amigo Roberto,

A quem vc se refere quando vc diz, não somos racistas?

Meu caro o brasileiro é racista inveterado; ele é culturalmente racista. É um dos poucos lugares do mundo onde existem pessoas que pensam que os negros não podem ser gerente, general ou líder confiável intelectualmente.

Infelizmente o brasileiro burguês não acredita na competência dos negros, exceto no futebol ou no samba, mas não precisa ser vizinho dele.

Entendeu?

Lobato de Salvador

favelazero disse...

Sinto em dizer que para os negros não existe essa coisa de racismo oculto.

O racismo é ostensivo e humilhante, apenas não é declarado e muito menos assumido.

Lobato

. disse...

Não, Lobato, não entendi. Pensamos de maneira diferente, simples assim. Mas tenha a certeza de que não somos racistas, apesar de você achar que no Brasil todos são racistas. E saiba que prezo tanto a liberdade de expressão que, a despeito de discordar de você, defendo que você tem o direito de se expressar, inclusive por meio deste Blog.
Até,
Roberta

. disse...

Favela,
Não consegui entender. Como algo que é ostensivo, ao mesmo tempo não é declarado nem assumido?

favelazero disse...

Veja bem, vc diz que:

"Não somos racistas e somos contra o racismo"

Eu copiei e colei seu texto para lhe demonstrar que existe a mesma coisa aqui exceto pelo de não assumirmos oficialmente nem legalmente, o nosso apartheid é digamos assim singelo, apesar de estúpido.

"De um lado, nos EUA, houve a criação de um Estado racializado. A todo o tempo o Governo fazia leis que impediam que os negros tivessem acesso aos direitos. Não podiam estudar em colégios decentes, não podiam frequentar parques públicos, não podiam frequentar bares, pois pelo sistema de segregação institucional, havia direitos separados para brancos e para negros."

favelazero disse...

Amigo, tem coisa que é ostensiva, mas não precisa ser necessariamnte alardeada, assim como um policiamento militar.

Coisa ostensiva é aquela coisa efetiva em seus efeitos assim como o vento.

É isso.

Quero apenas dizer que quem não é vítima de racismo não deveria ter tanta desenvoltura ao nega-lo.

Lobato

. disse...

Lobato,
Você poderia me apontar uma única lei, no Brasil, que tenha limitado o acesso a direitos com base na cor da pele de alguém?
Do contrário, eu poderia te apontar uma Ordem de 1731 (veja bem, 157 anos antes da Abolição da Escravatura) emanada pelo então Rei Dom João V, de Portugal, na qual ele dava o cargo de Procurador-Geral da Coroa a um negro.
Por outro lado, eu poderia ainda citar milhares de leis segregacionistas norte-americanas, somente para que você perceba com clareza as profundas diferenças que marcam os dois países:

Enfermeiras — Não se pode demandar o trabalho de enfermeiras para trabalhar em hospitais, públicos ou privados, se houver pacientes negros;

Ônibus — Todas as estações de passageiros devem ter pontos de espera separados e os assentos no ônibus devem ser separados para os brancos e para os negros;

Estradas de Ferro — O condutor de cada trem de passageiros é solicitado a designar cada passageiro ao carro ou à divisão do carro e designar à qual raça o passageiro pertence;

Restaurantes — Será ilegal conduzir um restaurante ou outro lugar que sirva comida se brancos e negros forem servidos no mesmo cômodo, a não ser que os brancos e as pessoas de cor estejam efetivamente separados por uma sólida divisória estendida desde o chão até a distância de 2 metros ou mais e a não ser que seja providenciada uma entrada separada na rua para cada compartimento;

Piscinas e Casas de Bilhar — Será ilegal para um negro e um branco jogarem juntos, ou na companhia um do outro, qualquer jogo na piscina ou de bilhar;

Banheiros Masculinos — Todos os empregadores de homens brancos e negros devem providenciar banheiros separados entre eles;

Casamentos entre Raças — Todos os casamentos entre uma pessoa branca e um negro são por meio de lei para sempre proibidos;

Educação — As crianças brancas e as crianças negras devem estudar separadamente.

. disse...

Lobato,
Logo, logo você vai perceber que dentro do nosso grupo existem negros também, e que são contra a racialização do País. Também já foram vítimas do preconceito, mas não adotam o discurso de coitados.
O racismo existe de várias formas, infelizmente, e não diz respeito tão-somente a cor da pele. Toda e qualquer manifestação de preconceito e de discriminação deve ser combatida, mas tenha certeza de que existe preconceito contra nordestino, contra homossexual, contra mulher, contra judeus, contra ciganos. Mas nada disso justiifica entrar no discurso da "eterna-vítima-que-pleiteia-benefícios-do-Estado"

favelazero disse...

Querido,

Eu disse que existem restrições aos negros aqui no Brasil que são semelhantes as restrições legais que existiam na América e eu posso lhe assegurar que eu sou um negro privilegiado que conhece os Estados Unidos.

. disse...

Quais são as restrições? Diga aí.
Ou as restrições - tal como o racismo por você alegado - também são ocultas?

favelazero disse...

Eu entendo o seu ponto de vista em relação a esse debate. Vc esta tendo dificuldade em entender o meu por não considerar relevante o testemunho das pessoas que se encontram no lado discriminado.

Eu entendo que a reivindicação de reparação é um processo que necessariamente vai gerar mudanças efetivas na forma em que o Estado brasileiro trata a questão racial no Brasil.

Não e uma solução é um meio para criar uma mentalidade solidária.

Todas as minorias estão recorrendo a isso.

Na África do Sul essas ações geraram benefícios efetivos para a população negra que é maioria na região.



Eu gostaria de acrescentar um tema pouco debatido em suas palestras e entrevistas.
A questão religiosa.

Veja bem,

A américa latina foi colonizada por portugueses. espanhós e inlgeses e franceses OK! ou seja católicos e protestantes.

O que o Apartheid tem a ver com o estranhamento socio-racial na América do Norte protestante, e quais os seus desdobrametos?

E o que a conversão dos negros americanos tem a ver com a luta dos direitos civis?

O que o cristianismo romano pode ter influenciado nessa falsa tolerância racial da América Latina ?

E porque a cristianização dos negros aqui foi tão prejudicada gerando inclusive novas religiões sincréticas?

. disse...

Considero tão relevante a manifestação de pessoas que já passaram por experiências de discriminação que todos os seus comentários estão sendo publicados.
Tenha a certeza de que eu também já sofri preconceito ao longo da vida, apesar de não fazer qualquer propaganda acerca deste fato e jamais pleitear reparação por meio de políticas afirmativas.
Agora eu vou dormir, ok?
Até!

favelazero disse...

As restrições a que me refiro são de ordem econômicas, mas na verdade também são de ordem sociais.

Pois se vc não permite que existam políticas de distribuição de renda ou se não existem políticas de democratização de acesso ao conhecimento vc vai simplesmente criar espécies de castas quase aos modes indianos.

Onde quem nasce preto e pobre vai continuar inexoralvemente preto mas sobretudo fatalmente pobre graças a um desequilíbrio socio-político e racial.

Essas ações compõem na verdade uma alternativa na disputa política.

Essa é a verdade.

favelazero disse...

Boa Noite,

Quero te dizer que vc passava a impressão de ser um racista militante mas felizmente vejo que não se trata disso.

Acompanharei sua movimentação nesse debate tão importante para a sociedade brasileira.

Um forte abraço!!!

Mario disse...

"Munanga nasceu no Congo Belga e tornou-se o primeiro antropólogo formado na Universidade Oficial do Congo, em 1969, no tempo em que o país se chamava Zaire e vivia sob a ditadura de Mobutu Sese Seko. Isso significa que ele pertencia à diminuta elite intelectual e social do seu país. Foi nessa condição que obteve uma bolsa de estudos de pós-graduação, começou seu doutorado na Bélgica e o concluiu já no Brasil, defendendo tese na USP."

O que conheço da história do Zaire é quase ZERO. Mas, conheço um bocado da história das escravizações.

Na história da humanidade, até meados do Século XVIII (a igreja católica passou a condenar desde 300 anos antes), era perfeitamente normal e ético escravizar as tribos e povos derrotados em guerras. (Na África isso ocorre ainda hoje.)

Decorre daí que os escravos que foram trazidos para as Américas o foram por COMERCIANTES que, simplesmente os COMPRAVAM dos chefes de tribos vencedoras.

Ora!!! Se Munanga pertence à elite do Congo, quem garante que não é descendente de escravizadores?

Voltando um pouco mais ao passado, é bom lembrar que houve a INVASÃO MOURA DA PENÍNSULA IBÉRICA (711 a 1221) em que negros perseguiram e escravizaram europeus (brancos).

Vale dizer: o coitadismo dos negros não passa de canalhismo em busca de privilégios.

Anônimo disse...

Ei, por que esse blog não faz como o do Reinaldo Azevedo? Nada de admitir comentários de racistas e de racialistas idiotas.

Essa gente já tem espaço demais.

A propósito: Minha pele é bege, ou nude, como quer a moda atual.

Anônimo disse...

Meu pai era mulato, e nunca ví ele ser discriminado em lugar nenhum. Quando morreu, era considerado uma pessoa extremamente querida.

Quanto às políticas racialistas, elas tem a tendência de jogar as pessoas umas contra as outras. Pruduzem mais preconceito, com certeza.

Quanto à falta de oportunidade dos negros, a causa principal é a péssima escola fundamental do Brasil. Com menos dinheiro do que será desperdiçado nas olimpíadas e com muito menos do que é desviado por corruptos, seria possivel transformar os dois primeiros anos da escola fundamental. Haveriam testes sobre a qualidade de ensino fundamental, e os municípios que não atinginsem o padrão mínimo, sofreriam sanções (perda de repasses, ou responsabilização do prefeito). Feito isso, seria possivel aumentar a qualidade do ensino médio. O nível educacional estaria muito mais equilibrado, e isso teria um reflexo fortíssimo sobre a distribuição econômica.

Bahiano

Anônimo disse...

Existem questões locais na questão da pobreza entre os negors. Moro em São Paulo, onde a população negra é bem menor que a média brasileira. Mas percebo que no Rio de Janeiro há grande presença de negros e mestiços nas favelas e em regiões violentas da baixada fluminense. Sei que o ambiente extremamente violento, controlado pelo tráfico de drogas, cria extrema dificuldade para a educação. Qual o reflexo dessa situação na colocação profissional dos jovens?
Parece-me que essa questão extremamente óbvia não tem sido suficientemente debatida. Se não houvesse essa situação infância prejudicada pela violênica, qual seria o efeito sobre a renda da população negra do Rio de Janeiro.

Anônimo disse...

Grande parte da população de São Paulo não é racista. A grande maioria das pessoas que conheço, jamais ofenderia alguém pela sua etnia ou cor da pele. Fica dificil imaginar que racismo, nesse sentido, possa ser a causa principal de diferenças econômicas.

Mas, aqueles que são racistas, sistematicamente pertencem a certos grupos, geralmente descendentes de imigrantes europeus do início do século XX. Noto que entre ALGUMAS destas pessoas, existe um forte racismo contra negros, judeus, "japoneses" e nordestinos. Penso que a superação desse problema, em São Paulo, passe por intercâmio entre pessoas e uma atenção focada nessas comunidades de descendentes de imigrantes do início do séc XX. Nesse sentido, grupos culturais e, principalmente, igrejas podem fazer um trabalho muito melhor que o estado (mesmo porque, precisamos perder a mania de depender do estado para tudo). Mas não proponho um intervenção dura, essa coisa de negros irem a uma igreja luterana, como já ouvi falar, com um discurso extremamente racialista, um misto de ameaça e uso do complexo de culpa.

O que proponho é integração em cnvivência social e ações sociais. Um exemplo aqui em São Paulo são os centros de excelência em saúde criados por judeus. Além do benefício direto, eles mitigam bastante o forte anti-judaísmo entre "italianos" e "espanhóis". Poderiam haver ações sociais conjuntas, na educação e saúde, promovidas diretamente por grupos nordestinos, negros, judeus e japoneses. Elas poderiam ter um forte impacto no imaginário popular.

E também poderiam haver encontros sociais, mas nada muito étnico, o foco deve estar nas pessoas, não nas culturas.

Baiano

Anônimo disse...

A respeito da situação nos EUA. A melhoria das condições de vida da população negra, entre o fim da escravidão e os anos 70, mostra que houve uma forte aproximação dos padrões de vida entre negros e brancos. É claro que os negros, partindo de uma situação econômica muito pior, ainda estavam significativamente mais pobres que os brancos nos anos 70.

Portanto, o fim da escravidão e as leis contra discriminação fizeram um trabalho fabuloso em favor do bem estar econômico. Mas e o racialismo? A violência dos bairros negros em NY e Washinton é, em grande parte, causada pelo racialismo. As "lideranças" negras querem tornar os negros dependentes economicamente do governo: incentivam uma postura supostamente "anti-sistema" que acaba sendo anti-lei. O "negro ideal" para as "lideranças comunitárias" é aquele que não se esforça na escola pois "não importa o que você faça, os brancos vão impedir você de prosperar". Jovens, enganados por essa conversa delinqüente, vão para o tráfico, ficam com a ficha suja e tem dificuldades para encontrar emprego.

Aqueles que vivem da miséria dos negros, tem interesse no bem estar dos negros?

Baiano

Anônimo disse...

Parabéns pelo blog Demétrio.

Gostaria de saber qual a "raça" do professor Kabengele. O Congo enfrentou décadas de guerra civil onde raças, de pele negra, se matavam....qual a raça desse senhor? Qual a opinião dele sobre os diversos genocídios que ainda ocorrem na África, onde raças negras se matam? Não é o caso de aplicar as teorias dele lá?

Ele vem ao Brasil querer defender os negros enquanto no Congo a "raça" dele mata os negros da outra "raça". Esse camarada é um farsante, tenho até vergonha de saber que ele quer defender os brasileiros. A raça dele na Africa é patrociandora do extermínio de negros de outras raças enquanto aqui ele quer posar de vítima.

Esse é o problema, na África, a raça de Kabengele governa o Congo matando, e perseguindo, os negros de outras raças. Aqui, ele se sente incomodado por não ver o mesmo acontecer.

Os brasileiros, de todas as cores, vivem muito melhor que os Congoloeses e demais Africanos e lá não havia escravidão....

Anônimo disse...

Negro não poder ser general? Isso é balela. Já cansei de ser comandado por comandantes negros, coronéis comandantes de batalhão, já cansei de participar de operações com companheiroa negros. Já cansei de colocar minha segurança nas mãos de oficiais negros e pardos.

Quem afirma que não existem generais negros não sabe como funciona o sistema de promoção de generais.

E agora vamos fazer o quê? Criar uma cota para generais negros e entregar ao cotista o comando de uma divisão de vinte mil homens? Vamos dizer o quê para os subordinados? Que eles vão colocar a vida em risco sob comando de alguêm que ocupa o comando devido a cor da pele? Dessa eu tô fora!

Deco disse...

Interessante notar que esse tal "Lobato de Salvador", que utiliza o nick favelazero, só tratou a Dra. Roberta por vocativos masculinos, como se fosse um homem. Ela, elegantemente, não recorreu a tão grossa demonstração de preconceito e machismo para se vitimizar e acusar a pessoa com quem dialogava.

Eis a diferença posta em experimento quase laboratorial. A divisão não é entre raças, mas entre educados e brucutus.

Menu del dia disse...

Ai, ai, realmente, o debate estava interessante entre Lobato e Roberta, mas aparece uns ruidos de comunicação tão insignificantes como esse aí acima. Bem, pulando isso, não dá para embarcar de modo maniqueísta, pois as duas posições são pertinentes, justificadas,opostas, mas também se alinham em vários pontos, utilizando de estratégias discursivas distintas. Mas, de todo modo, uma pergunta não cala: Como fazer com que raça deixe de ser um problema no Brasil? Não se trata de diagnosticar se somos ou se não somos racistas, pois afinal esse coletivo sociedade brasileira é uma abstração. No entanto, há índices que apresentam fortes evidências de que vigora uma modalidade de segregação neste país que, concordemos ou não, pode ser mapeado através do que identificamos através da cor da pele, que na verdade é um tipo de subterfúgio -- uma metáfora, um índice -- que sumariza um conjunto de marcadores de status (sobrenome, performance pública, origem social, moradia, vestimentas, ocupação profissional, etc). Nesse sentido, não dá pra desconsiderar o elevado grau de diferenciação que vigora entre os portadores destes sinais. E não se trata de experimento laboratorial, trata-se de perceber minúcias, gestos, pequenos arremedos, posições pretenciosamente julgadas incontestáveis. A posição de Demétrio não é incontestável, apesar de apresentar argumentos bastate sólidos. No entanto, ela não oferece solução alternativa alguma para o desequilíbrio, a desigualdade que essa sociedade brasileira apresenta nas distintas formas de vida cidadã. Por outro lado, as políticas de ações afirmativas evidenciam o posicionamento de sujeitos que demandam que o Estado aja dentro de um intervalo de tempo em que seja possível ao menos acenar um horizonte em que seja possível vislumbramos um país em que haja possibilidade de inclusão de setores menos privilegiados historicamente... E mais, não dá pra não perguntar: onde está a tão temida classe média negra desse país? Ela, se realmente existir, não é nem um pouco representativa percentualmente face à imensa massa de pobres negros. Então, como não ser possível identificar esse coletivo? Por que não experimentar uma política que sequer propõe igualdade, pois tem-se reservado um percentual abaixo dos censos. No caso das cotas em universidades públicas, se trata da chance de se experimentar, afinal não é a universidade o grande laboratório -- aí sim -- das experiências e transformações da sociedade. Os cientistas comprometidos com os desafios diriam que sim. Abaços e parabéns pela iniciativa do blog.

FLVC disse...

Prezado Menu, me parece que a questão foi bem colocada, mas entendo que posso contribuir. Favelazero está correto ao afirmar a existência do racismo contra o negro pobre, como a Dra. Roberta está correta ao lembrar que também existe o preconceito contra a mulher pobre e contra o nordestino pobre. Eu, particularmente, entendo que o preconceito é contra o pobre! Quem em seu juízo perfeito menospreza o Ministro Joaquim Barbosa (negro), a Ministra Ellen Gracie (mulher e loira) e o Ministro Ayres Brito (nordestino)? São eles inferiores? Me parece que não. Mas se fossem pobres... Há uma frase famosa de Einstein que acredito ser apropriada ao momento:

“Se a Teoria da Relatividade se mostrar correta, os alemães me chamarão de alemão, os suíços dirão que sou suíço e a França me rotulará de grande cientista; se estiver errada, os franceses dirão que sou suíço, os suíços me chamarão de alemão e os alemães me acusarão de judeu.”