sábado, 24 de outubro de 2009

Mensagem de um leitor

O texto abaixo foi recebido em nosso email. Gostaríamos de compartilha-lo com todos (lógico, que com a aprovação do autor da mensagem).

Caros,
Gostei muito de conhecer o blog e gostaria de expressar meu total apoio à iniciativa e às suas duas idéias inseparáveis. O prosseguimento do racialismo no Brasil também comporta importante ameaça ao ideal universalista de cunho social democrático da constituição de 1988, cujos frutos já começaram a ser colhidos com a redução pequena mas inédita da desigualdade de renda.

Ao invés de prosseguirmos no caminho das políticas sociais inclusivas e universais que visam criar uma nação de cidadãos com oportunidades iguais, corremos o risco de enveredarmos pelo caminho liberal norte-americano que só ergue políticas sociais para grupos minoritários, vitimizados, que precisam continuar no papel de vítimas do sistema para continuarem como alvo das políticas. Por este caminho não superaremos a desigualdade e ainda insuflaremos o ódio e a divisão.

Atenciosamente

Paulo Henrique de Almeida Rodrigues (Rio de Janeiro)
e-mail: pharodrigues@gmail.com

(ver aqui o CV Lattes do Dr. Paulo Rodrigues)

2 comentários:

Myrian Elizabeth disse...

Eu li isto e nunca havia ouvido falar sobre. Eu queria saber se é verdade:
Como a grande maioria dos leitores deve saber, o Brasil foi um dos países que mais traficou negros com o intuito de trabalho escravo. Esses não foram tão passivos como a história manipulada tentou mostrar por anos e sempre houve resistência. Os quilombos são uma prova disso. Quando houve a abolição da escravatura por motivos sócio-econômicos da época (e não por bondade, como costumam dizer por aí) os negros foram “libertados”, ou seja, jogados ao relento e que se virassem. Isso depois de terem sua dignidade, cultura e direitos destruídos. O trabalho passaria a ser então assalariado, mas como ninguém queria pagar salário aos negros, eles foram preteridos pelos imigrantes italianos ou alemães que chegaram ao Brasil na época da abolição. Esses trabalharam duro, é inegável, mas tiveram direito a salário, seus filhos tiveram direito a educação, eles puderam crescer juntamente com os brancos brasileiros. Enquanto isso, os negros eram proibidos por lei de sequer freqüentarem escolas, dentre diversos outros direitos básicos que lhes eram negados. Graças à luta de determinados negros e brancos que os apoiavam, alguns direitos foram sendo conseguidos lentamente.
Encontrei nesse site:
http://www.delfos.jor.br/conteudos/index_interna.php?id=2394&id_secao=6&id_subsecao=20
Alguma vez os negros foram proibidos de frequentar escolas no Brasil?

Marcelo Hermes disse...

Prezada
A resposta é NUNCA foram proibidos de nada após 1888. Nunca tivemos leis racialistas no Brasil republicano. Mesmo na época do império, se haviam restrições eram aos escravos (lembrando que haviam milhares de negros livres já nos meados do século 19).

Marcelo Hermes-Lima