O programa Hora Legal traz debate ao vivo sobre as cotas raciais. Será nesta quarta-feira, dia 07/10/2009, das 8 às 10 horas da manhã, com a advogada da ADPF 186 Roberta Fragoso Kaufmann.
Concordo com a Dra. Roberta Fragoso quando diz que existe racismo no Brasil e que este deva ser combatido exemplarmente. A exemplo da Dra. Roberta, também não creio que o sistema de cotas raciais seja o caminho correto para combater o racismo.
Ao revés, acredito sinceramente que a divisão formal dos cidadãos por raças seja a decisão mais nefasta ao combate ao racismo de que se tenha notícia nos últimos tempos.
No ambiente universitário brasileiro (universidades públicas), tradicionalmente democrático, cosmopolita e multicultural, as cotas tendem a criar um sentimento de diferenciação que simplesmente não existia até bem pouco tempo: o de que há classes diferentes de estudantes.
Quem é do Rio de Janeiro, por exemplo, e estudou em uma universidade pública há de concordar que são espaços absolutamente democráticos onde convivem alunos de todas as camadas sociais. Salvo para efeitos estatísticos oficiais, nunca foi, na prática, relevante essa questão: aluno negro ou branco; pobre ou rico; zona sul, zona norte ou subúrbio.
É uma pena que, a despeito de se combater o racismo, venham a descaracterizar a universidade pública brasileira como exemplo de espaço democrático de convivência entre as pessoas.
"Menos que um fato biológico, raça é um mito social, e, como tal, tem causado em anos recentes pesados danos em termos de vidas e de sofrimento humanos"
UNESCO, 18 de julho de 1950.
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Quem somos
. Este é um blog destinado à defesa de duas ideias inseparáveis. A primeira: o racismo é uma chaga intolerável, que diminui e desumaniza os seres humanos. A segunda:a doutrina racialista, expressa no projeto de criação de leis raciais, degrada a democracia, oficializa o mito da raça e, voluntariamente ou não, estimula o racismo. Nossas ideias estão expostas em dois documentos que inspiraram a criação deste blog: a Carta Pública ao Congresso Nacional de 30 de maio de 2006 (veja aqui) e a carta ao STF intitulada Cento e Treze Cidadãos Anti-racistas Contra as Leis Raciais, de 21 de abril de 2008 (aqui). Esta carta teve a adesão de mais de 4 mil pessoas, cuja lista nominal está disponível aqui. Este é um blog coletivo e aberto a adesões e contribuições. É feito por cientistas políticos, antropólogos, sociólogos, juristas, historiadores, geneticistas, biólogos, médicos, intelectuais e ativistas de movimentos sociais. Coletivo não significa anônimo. Nossos nomes aparecem nos posts que não têm links para fontes externas. A administração e confecção dos Posts quando não estão nominalmente identificados é realizada por Roberta Fragoso Kaufmann.
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1 comentários:
Concordo com a Dra. Roberta Fragoso quando diz que existe racismo no Brasil e que este deva ser combatido exemplarmente. A exemplo da Dra. Roberta, também não creio que o sistema de cotas raciais seja o caminho correto para combater o racismo.
Ao revés, acredito sinceramente que a divisão formal dos cidadãos por raças seja a decisão mais nefasta ao combate ao racismo de que se tenha notícia nos últimos tempos.
No ambiente universitário brasileiro (universidades públicas), tradicionalmente democrático, cosmopolita e multicultural, as cotas tendem a criar um sentimento de diferenciação que simplesmente não existia até bem pouco tempo: o de que há classes diferentes de estudantes.
Quem é do Rio de Janeiro, por exemplo, e estudou em uma universidade pública há de concordar que são espaços absolutamente democráticos onde convivem alunos de todas as camadas sociais. Salvo para efeitos estatísticos oficiais, nunca foi, na prática, relevante essa questão: aluno negro ou branco; pobre ou rico; zona sul, zona norte ou subúrbio.
É uma pena que, a despeito de se combater o racismo, venham a descaracterizar a universidade pública brasileira como exemplo de espaço democrático de convivência entre as pessoas.
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