Amigos:
Recebi por e-mail um texto, do qual mostro o trecho acima. Este texto foi escrito/publicado em 2004 (Palocci ainda era ministro de Lula) - clique aqui para lê-lo na íntegra. Apesar de achá-lo de extremo mau-gosto (e contra o que acreditamos), resolvi postá-lo com comentários do antropólogo Bernardo Lewgoy:
Resumo crítico da posição do autor do texto abaixo em dois parágrafos:
Palocci, Mantega, Dulci, Berzoini, Rosseto e Gushiken. Estes são sobrenomes de brilhantes ministros do governo petista, descendentes de italianos e japoneses. Como chegaram ao Palácio do Planalto, símbolo do poder máximo do país, superando os Silva, Oliveira e Santos, sobrenomes mais comuns de famílias pobres no Brasil, em geral, de descendentes de africanos ou portugueses pobres?
O texto parte de premissas racialistas: deduz um discutível histórico étnico-familiar de um indivíduo a partir de um sobrenome (e omite o "da Silva" de Lula, ou o "Cardoso" de FHC, porque será, espelho meu ?). Ou , como afirma Demétrio Magnoli, "associa um nome a uma raça"
Recebi por e-mail um texto, do qual mostro o trecho acima. Este texto foi escrito/publicado em 2004 (Palocci ainda era ministro de Lula) - clique aqui para lê-lo na íntegra. Apesar de achá-lo de extremo mau-gosto (e contra o que acreditamos), resolvi postá-lo com comentários do antropólogo Bernardo Lewgoy:
Palocci, Mantega, Dulci, Berzoini, Rosseto e Gushiken. Estes são sobrenomes de brilhantes ministros do governo petista, descendentes de italianos e japoneses. Como chegaram ao Palácio do Planalto, símbolo do poder máximo do país, superando os Silva, Oliveira e Santos, sobrenomes mais comuns de famílias pobres no Brasil, em geral, de descendentes de africanos ou portugueses pobres?
O texto parte de premissas racialistas: deduz um discutível histórico étnico-familiar de um indivíduo a partir de um sobrenome (e omite o "da Silva" de Lula, ou o "Cardoso" de FHC, porque será, espelho meu ?). Ou , como afirma Demétrio Magnoli, "associa um nome a uma raça"
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Sou autor de ação na OEA, em que processo o Brasil pelo crime de escravidão, e nela proponho a criação de uma força-tarefa educacional, pela qual universidades públicas país afora instalem núcleos de otimização educacional, como forma de corrigir as desigualdades acumuladas ao longo dos 350 anos em que escravos africanos ficaram sem direitos, só com obrigações. Hoje, seus descendentes merecem, no mínimo, uma compensação pelo que lhe foi negado.
Para o autor, a elite branca euro- descendente dá direito a todos os outros, menos aos negros - grupo que se tornará visível numa olhadela no espelho ou, se precisar, com um empurrãozinho de alguns tribunais raciais e, para arrematar, por um conjunto de leis raciais que tirarão de vez essa idéia absurda de mistura da cabeça dos que ainda querem se pensar como mulatos, pardos ou mestiços. Enfim, um digno representante da filosofia racial da história.
Sou autor de ação na OEA, em que processo o Brasil pelo crime de escravidão, e nela proponho a criação de uma força-tarefa educacional, pela qual universidades públicas país afora instalem núcleos de otimização educacional, como forma de corrigir as desigualdades acumuladas ao longo dos 350 anos em que escravos africanos ficaram sem direitos, só com obrigações. Hoje, seus descendentes merecem, no mínimo, uma compensação pelo que lhe foi negado.
Para o autor, a elite branca euro- descendente dá direito a todos os outros, menos aos negros - grupo que se tornará visível numa olhadela no espelho ou, se precisar, com um empurrãozinho de alguns tribunais raciais e, para arrematar, por um conjunto de leis raciais que tirarão de vez essa idéia absurda de mistura da cabeça dos que ainda querem se pensar como mulatos, pardos ou mestiços. Enfim, um digno representante da filosofia racial da história. .
ps2: Responsável pela postagem: Prof Marcelo Hermes, UnB
9 comentários:
É uma pena... A verdade continua sufocada. Aliás, vcs certamente fazem parte da "Fox" brasileira, "parabéns"..................
Caros moderadores do blog:
Fui informado de que este é um blog destinado à exposição de ideias anti-racistas e anti-racialistas. Entendo que se publiquem, com parcimônia, comentários educados com argumentos racialistas. Mas por que se publica um comentário como esse, de um anônimo que assina modestamente "Eu sou pela justiça"? Não é um comentário educado, nem contém um único traço de argumentação. É apenas parte de uma corrente militante impulsionada por ONGs racialistas.
Coisas assim sujam o mundo. Sugiro que vocês não admitam esse tipo de sujeira, como não se admite jogar latinhas de refrigerante na calçada.
Abraços.
Demétrio Magnoli
Professor Demétrio Magnoli, continuo a afirmar que a verdade está sufocada, portanto, tenho nome e não ajo por trás de uma frase - "Eu Sou Pela Justiça" - meu nome é ROBERTO DE CARVALHO e o conteúdo de meu artigo tem coisas indiscutíveis que não está sendo posta, como as terras que o Estado brasileiro concedeu aos imigrantes europeus no mesmo momento em que a Coroa brasileira era fustigada pela Inglaterra de terminar com a escrvidão nefasta que assolou estas trras. Portanto, por uma questão de debate de idéias, entendo que sua postura "professoral e orientadora" do referido Blog deva se ater a fatos cujos os argumentos são difíceis de sustentar.
O post ´Racismo à Italiana´, baseado no artigo de Roberto Carvalho, embora parta de dados históricos corretos, tem nítido apelo de constrangimento a filhos da imigração pós-abolição, e, volta e meia, quando os racialistas precisam constranger alguém, o artigo é recuperado e publicado.
Na época da publicação (2003, início do governo LULA) anotei que o autor esquecia que no mesmo governo pontuavam o SILVA LUIS, Presidente, o SILVA JOSÉ, Vice-Presidente; a SILVA BENÉ, Ministra de Assistência Social, MOREIRA GIL ministro da Cultura; SILVA M., ministra do meio-ambiente, SILVA JOSÉ DIRCEU, Ministro da Casa Civil, RIBEIRO M., Secretária da Igualdade ´racial´ e ainda hoje, SILVA O., Ministro dos Esportes, enfim, enorme quantidade de ´brasileiros´, SILVAS, SANTOS etc o que apenas confirmava com os sobrenomes citados, que somos de fato, uma nação miscigenada e a-racial, cujo governo eleito em 2002, representava a meu ver, a esperança de continuar sendo.
O fato é que o autor partia de uma premissa correta – a omissão estatal em relação aos afro-brasileiros - e deduzia uma solução equivocada: racializar o futuro, segregando direitos em bases raciais, repetindo a triste experiência norte-americana, não é a boa política de ´reparação´ do passado. Produzirá, como produziu e ainda produz nos EUA segregacionista, na Alemanha nazista, na África do Sul ou em Ruanda: ódio e racismo.
A única solução, argumentava então, era o investimento universal focados na reversão das desigualdades e promoção de condições dignas para o futuro. O programa Bolsa Família, desde então, vem fazendo isso: sem racializar, ao retirar 40 milhões de brasileiros da miséria absoluta, dela retirou 32 milhões de afro-brasileiros. Ao promover 20milhões da classe D para a C, elevou 17 milhões de pretos e pardos. Muito há ainda o que fazer.
O que não se justifica é usar o constrangimento de sobrenomes italianos, japoneses ou árabes - como se famílias ´raciais´ - que chegaram pós-abolição e foram, de fato, beneficiários de políticas estatais, em razão do papel sócio-econômico que representaram, a fim de, agora, invocar-se a ´reparações´ raciais.
Ainda, não podemos desconsiderar que na virada dos séculos - 1.860 a 1940- a crença racial era generalizada, oriunda dos EUA ganhava a Europa com áurea intelectual, acadêmica e científica – inclusive entre nós - até ser elevada a bandeira política de triste memória.
Hoje, desde a tragédia da 2a. Guerra, cabe a humanidade, o reiterado postulado da destruição da crença racial e lamentar os equívocos fundados no racismo.
Destarte, não podemos, conforme o ilustre articulista, pensava em 2003, e agora reitera, sob argumento de ´reparação´ do passado, repetir o erro dos anos 1.900 e acolher políticas raciais em base estatal. A maioria dos brasileiros não o desejam, nem 62,3% dos pretos e 64,1% dos pardos aceitam o privilégio de direitos em bases raciais, diz a pesquisa CIDAN/IBPS de 19.11.2008 (http://www.ibpsnet.com.br/descr_pesq.php?cd=83).
J. Roberto Militão.
...ok. E a desigualdade acumulada histórica, como é que fica? O Bolsa Familia nivela por baixo, longe portanto das valorosas políticas que receberam os imigrantes. E então, professor Militão, como é que fica, não é justa a REPARAÇÃO dos mesmos moldes, a fim de notabilizar os em desigualdade acumulada? O poder cognitiva da pobreza, impede a ascenção dos negros, como forma de controlar uma massa de seres humanos, em detrimento de uma visão estreita do status quo brasileiro (elite burra), pois notadamente as variáveis da insegurança pública em nosso país é sem dúvida a resposta da dívida social do estado brasileiro, ele produz com sua visão cega (?) os produtos da violência....
Continuo a afirmar. "A VERDADE ESTÁ SUFOCADA."
Fico a pensar, ao ler o primeiro comentário das 09:19h (de 27/10/2009) de que “a verdade continua sufocada, de que somos a Fox brasileira” (rede reconhecida pelo republicanismo conservador anti-Obama: o certo seria dizer que somos “democratas pró-Obama”) se o racialismo já não goza de simpatia majoritária entre a elite da população de cor afrodescendente no Brasil.
Caso isto seja um fato será o pior dos mundos para nós: é desanimador a médio prazo porque se trataria realmente de uma irreversível etnogênese da “comunidade negra”. Aliás posição, se não me engano, do sociólogo Antônio Sérgio Guimaraes que afirmou: “tá certo, a raça é construção social essencialista sem significado biológico mas isto é um custo aceitável da necessária reparação aos afrodescendentes, por via da constituição de uma comunidade étnica”. Se a contestação intelectual é lida pelos sujeitos como ofensa à dignidade racial da pessoa humana, o poço do debate está envenenado de antemão. A reflexão que fica é : a indignidade humana causada pelo mito da raça justifica a idéia de um regate racial da dignidade humana? Ou resgate da dignidade e afirmação da raça são incompatíveis? Se o problema for conferir dignidade as pessoas de cor, indias, afros, negras, mestiças, etc. eu seria totalmente a favor. Mas a consequencia perversa é sempre a mesma: transformar o mundo em guetos ou reservas étnicas, pequenas nações definidas por essencias híbridas que sempre viram ”natureza” por conta de seus profetas, guardiões, políticos, operadores jurídicos e burocratas. Raça ou Etnia é o sucedâneo pós-moderno e reeditado da idéia de nação num “mundo sem fronteiras”. Afinal as pessoas querem pertencer a alguma origem, não é mesmo?
Bernardo Lewgoy
A VERDADE CONTINUA SUFOCADA.
Sim Sim , a sua "Verdade" está incrivelmente sufocada ; cotas raciais em mais de 50 universidades públicas , com apoio do governo e do imperador Lula , mais alguns PLs engatilhados ( generalizando as cotas raciais para todas as universidades públicas , além so Estatuto da Desigualdade ) ;
realmente estão muito sufocados , quase igual os pobrezinhos do MST que não podem fazer nada . Estou morrendo de pena ...
Vejo um mito na questão da imigração. Muitos grupos receberam realmente terras, principalmente no séc XIX (se bem que eram geralemtne matas virgens, no meio do nada, a serem enfrentadas apenas com machado, mas não deixa de ser uma vantagem). Mas no séc XX, a maioria dos imigrantes vieram para serem empregados. Os japoneses, em particular, vieram para trabalharem em condições terríveis nas lavouras do interior de São Paulo. Grandes levas de imigrantes italianos e espanhois vieram para o para trabalharem na indústria. Mas o caso mais impressionante foi o dos japoneses, que só receberam trabalho duríssimo, mas são vistos aqui em S. Paulo como um exemplo de sucesso acadêmico e profissional.
Penso que a principal vantagem dos japoneses foi cultural. E a melhor restituição que os negros deveriam pleitear seria uma escola fundamental excelente. Isso é a base, sobre a qual poderiam construir uma imensa prosperidade.
Mas olhando o que aconteceu em outros países que dividiram as "raças" legalmente, esse parece-me o caminho para o desastre. Alguns trabalham nesse sentido por igenuidade, outros porque querem tal desastre, e outros, para obter o poder de serem "representantes da raça negra", tornando os pretos e mestiços seus eternos dependentes.
Na minha família tenho primos e primas quase pretos e outros ruivos. É misturado, assim, que eu gosto de ver o Brasil. Deus não permita que vocês, racialistas, tenham sucesso nessa empreitada torpe de jogar uns contra os outros.
Renato
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