quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Segregação racial


Amigos:
Nos foi enviado por email o artigo "Segregação Racial", escrito pelo economista Rodrigo Constantino. O texto foi publicado recentemente em O Globo, e se inicia assim:

Na década de 1970, o antropólogo Peter Fry escreveu um artigo tentando responder por que a feijoada era um típico prato nacional no Brasil, mas um prato de negro nos Estados Unidos. Sob a influência marxista da época, que enxergava a sociedade como dividida em dois atores coletivos, os poderosos brancos e os fracos negros, sua conclusão era que “a conversão de símbolos étnicos em símbolos nacionais não só oculta uma situação de dominação racial, mas torna muito mais difícil a tarefa de denunciá-la”. (...)

Leia o artigo na íntegra clicando aqui.
.
Conheça o blog do Rodrigo Constantino, aqui.
..

8 comentários:

MirandaMNS disse...

O artigo do economista Rodrigo Constantino publicado no "O Globo" em 26/10/ 2009 é um artigo contra as leis raciais.
Para fazer este duelo contra os racialistas, é de suma importância que mantenhamos o mais alto nível de informação e argumentação, nesse terreno os que advogam o racismo e o racialismo se tornam frágeis e muitas vezes patéticos.
É esta base dos levianos argumentos deles (racialistas)que repetirem como papagaios: "a elite branca racista é contra as cotas raciais"; "a abolição é mentira"; "é tudo coisa da mídia racista" e tantos outros argumentos e chavões bradados Brasil a fora.
Eles tentam criar estereótipos, nós não podemos cair nessa ladainha.

O artigo postado, inicia-se assim:
"Sob a influência marxista da época, que enxergava a sociedade como dividida em dois atores coletivos, os poderosos brancos e os fracos negros, sua conclusão era que “a conversão de símbolos étnicos em símbolos nacionais não só oculta uma situação de dominação racial, mas torna muito mais difícil a tarefa de denunciá-la”. (...)
O artigo insinua, ou melhor, afirma que uma visão marxista (creio, de luta de classes) levou o antropólogo a ter uma visão de mundo parecida com a dos racialistas. Eu diria até que independente da opinião do antropólogo, essa afirmação é completamente inconsistente.

A ideologia do racismo e a sua versão mais moderna o racialismo, só podem levar a um propósito: a divisão dos povos, independente do pertencimento a uma classe social social. E isso nada tem a ver com a luta entre as classes sociais, base da análise marxista, aliás é todo o contrário.

Há muito tempo, muitos intelectuais, líderes políticos se dizem marxistas, socialistas, comunistas e fazem e dizem todo o contrário. As palavras, como todos sabemos, podem ser fraudadas.
Á poucos dias um dos maiores líderes da burguesia brasileira, Sr.Paulo Skaff, presidente da poderosa FIESP, no ato de sua filiação ao PSB, declarou que o socialismo já esta sendo realizado atravéz da pulverização das ações das empresas na bolsa de valores (sic)!
Pode ser que o grande empresário acredite realmente no que ele declarou, mas seguramente, essa concepção nada tem de socialismo e muito menos de marxismo.

De nossa parte, acreditamos que quanto mais igualdade, menos racismo. As imensas desigualdades sociais e econômicas e a busca insana pelo lucro são o principal motivo da existência desta odiosa e intolerável ideologia que justifica uma dominação e uma exploração injustificável.

Seguramente alguém que lute por liberdade, igualdade e fraternidade e por uma sociedade sem explorados e exploradores, fundamentado nos princìpios marxistas estará deste lado da barricada neste combate contra o racismo e o racialismo.

Um abraço de carinho e luta a todos que estão combatendo o racismo e o racialismo.

José Carlos Miranda
Coordenador Nacional do Movimento Negro Socialista e Dirigente da Esquerda Marxista do PT.

www.mns.org.br
www.marxismo.org.br

Anônimo disse...

Prezado Senhor José Carlos Miranda.

Ao citar Skaf, uma pessoa que certamente não é socialista, você quer dar a impressão são os falsos socialistas os promotores da agenda racialista e que a maioria dos verdadeiros marxistas não estão engajados na política racialista. Mas isso é claramente falso, é público e notório o apoio dos partidos de esquerda brasileiros à causa racialista, desde muitos anos. Quais deputados ou senadores do PT ou do PSOL ou PSTU são contrários à agenda racialista? Todos os a imensa maioria defendem o racialismo.

Não sou marxista, pelo contrário, mas discordo de você sobre o que o socialismo diz. Realmente a teoria de Marx tratava de "classes" e não de "raças", embora o próprio Marx fosse bastante racista, e tenha chegado a saudar a destruição dos povos que ele considerava "fracos" pelos mais "fortes".
Mas de onde vem a atual tendencia racialista dos marxistas?
Não é em Marx, mas em Lenin que os socialistas atuais buscam sua inspiração para essa política. Lenin propunha que a sociedade deveria ser posta em pé de guerra, deveriam ser criadas ou promovidas divisões internas, ódios, perversões. Com base nessas idéias, a esquerda americana tem promovido a radicalização contínua de movimentos sociais.

Mas talvez não seja esse o principal motivo que move os partidos socialistas brasileiros. O fato é que o racialismo concentra poder (e dinheiro) nas mãos dos donos de ONGs e "movimentos negros".

PS: Se você quiser, depois eu indico os textos de Marx onde ele demonstra seu racismo. E os textos de Lenin onde ele propõe o incentivo à divisão e ódio.

José Carlos Miranda disse...

Marxismo nada tem a ver com racialismo (2)

Caro Sr. Anônimo,
Para o bem da discussão e da luta contra o racialismo e o racismo é muito bom que este blog tenha toda a amplidão, necessária nesta árdua tarefa. Por isso achei adequado responder ao post do economista Rodrigo Constantino em que insinua que o racialismo está ligado a uma visão marxista.

Seu comentário faz uma miscelânea entre esquerda, socialismo e marxismo. Como é do conhecimento de todos (sugiro a leitura do excelente trabalho de Demétrio Magnoli “Uma Gota de Sangue”) nem o racismo, nem o racialismo são frutos de políticas originárias do marxismo.

Cabe aqui alguns esclarecimentos, a saber:
1- No Brasil a implementação inicial de políticas públicas inicia-se no governo de FHC e em governos estaduais dirigidos pelo PMDB e as leis apresentadas no Senado e Câmara dos deputados são de autoria de políticos ligados a tradicionais partidos liberais, ou seja, não socialistas

2- É possível vislumbrar que notórios “liberais” (anti marxistas), são fervorosos defensores das políticas racialistas, de outro lado muitos democratas (na a ver com o partido ex PFL) liberais são contra essas políticas.

3- Em política e economia 1 + 1, na maioria das vezes não é igual a 2. Alguns grupos que se intitulam marxistas, não significa exatamente que o são, de qualquer maneira a maioria das assembléias legislativas e do congresso nacional não estão, até este momento com maioria de marxistas, ou mesmo socialistas, nem mesmo a chamada esquerda é maioria. E essas leis foram aprovadas.
Onde está a prova que a visão marxista é que proporciona a cultura racialista?

A chamada ultra esquerda marxista no congresso só tem representantes no PSOL que tem... 3 deputados, o PSTU que nem tem representação em nenhum parlamento do país, nem sequer um vereador, diga-se de passagem que a ANDES ( Associação Nacional dos Docentes de Ensino Superior) na qual eles tem grande influência, tem posição congressual contra as cotas raciais e o estatuto racial!
O livro “Divisões Perigosas” entre seus 34 co-autores contém vários artigos de simpatizantes ou mesmo militantes que se reivindicam marxistas contra as leis raciais.
Mas o governo Lula é o principal impulsionador das políticas racialistas, e é mesmo. E quem disse que o governo Lula é de esquerda? E quem disse que os marxistas no PT são defensores destas políticas?

E finalmente, o PT é um partido marxista?

(continua)

José Carlos Miranda (II) disse...

(continuação)

Eu respondo as perguntas,

1- O governo Lula é um governo de coalizão inclusive com ilustres representantes da grande burguesia e o que pode ser chamado de direita

2- Aqueles que defendem o marxismo no interior do PT são minoria e não participam do governo e fazem um duro combate contra o racialismo, eu me incluo entre eles.

3- O PT nunca foi e nem é um partido fundamentado no marxismo, se bem que no seu início era mais próximo desta concepção do que hoje
Sobre a fraude das palavras.
A comparação que fiz com a declaração do presidente da FIESP se auto intitulando socialista é justamente para comprovar como cada um pode se chamar do que quiser e me parece que tem seu acordo (nós dois, se me permite, concordamos que o Sr. Skaf não é socialista). As pessoas podem se achar e se auto denominar da forma com bem quiserem. E tem muito pouca gente que se auto define marxista e defende políticas racialistas. Entre as organizações, basicamente somente o PSTU e metade do PSOL (não tem resolução congressual á favor das políticas raciais, porém todos seus 4 parlamentares são favoráveis).

Numa entrevista cedida pela Sra. Sueli Carneiro (coordenadora da ONG Geledés – entidade que é uma das maiores recebedoras de doações de fundações internacionais para impulsionar o racialismo ) para a revista Caros Amigos n. 35 2000, ela defende claramente: “ ...se eu fosse um ser revolucionário descartaria as políticas de ação afirmativa...”. É todo o contrário do pensamento marxista.

As principais organizações impulsionadoras das campanhas “radicais” a favor das políticas racialistas são impulsionadas e financiadas pelas ONG’s que na esmagadora maioria não tem a sua cabeça nenhuma liderança marxista. Mas é verdade que muitos que se intitulam de “esquerda” defendem as cotas raciais e o estatuto da igualdade racial. Na minha opinião esses aí, independente da intenção que vociferem, estão na turma dos que desistiram de lutar pela verdadeira igualdade.

Sobre a afirmação de racismo de Marx... Karl Marx como todos os grandes homens de sua época estavam completamente influenciados pelas teses pseudo científicas da classificação racial da humanidade. Se o Sr. estiver se referenciando nos ácidos comentários sobre Lafargue em cartas pessoais, está perdendo tempo, os racialistas radicais já me fazem essa acusação a todo momento. A genialidade de Marx, suas obras são todo o contrário da afirmação leviana afirmada pelo Economista. A afirmação simplória e despropositada sobre Marx, poderia ser feita a praticamente todos os grandes homens de sua época.

A obra de Marx não caracterizava as pessoas por “fracos” e “fortes”, e sim por nobres e plebeus, proletários e burgueses, senhores e escravos. São as classes sociais e não raças, como o Sr. Anônimo reconhece. E o “ódio racial” de Lênin, só pode ser piada, ou desconhecimento da obra do grande revolucionário. Um acirramento verborrágico encontrado em algum texto, é possível, apesar do meu desconhecimento. Gostaria de ver esse texto e em qual contexto foi escrito. Viver na clandestinidade e num país como a Russia dos Czares, não deve ser muito fácil, construir um partido e dirigir uma revolução muito menos.

Finalmente, pergunto: Em que país que adotou políticas racialistas as mesmas foram impulsionadas pelos marxistas? Creio que o Sr. Anônimo já sabe a resposta: nenhum!
Talvez seja mesmo uma impressão do economista Constantino, ou mesmo do Sr. Anônimo levado pela atuação de pequenos grupos radicalizados do movimento estudantil ou a miopia sectária daqueles que só enxergam o mundo segundo os clichês do anticomunismo.
Caro Anônimo, não se perca nessa visão mecânica para não jogar todos no mesmo quintal, ela só joga água no moinho dos que são favoráveis ás políticas raciais que querem ver o mundo em preto e branco.

José Carlos Miranda
www.marxismo.org.br
www.mns.org.br

Anônimo disse...

Prezado Sr. Miranda

O seu texto merece uma resposta mais longa, mas por aqui vou deixar o seguinte comentário:

O PT se definia como um partido leninista, segundo as palavras de de José Genoino, na época, na direção do partido.

Você talvez negue o marxismo do PT com base no fato de que não é, obviamente, um partido revolucionário, no sentido antigo. O PT adotou a estratégia de Gramsci, que pregava não a revolução violenta, mas a tomada pelo Partido (no sentido mais amplo da palavra) de todos os setores da sociedade. Num certo sentido, isso já ocorreu amplamente no país, visto que mesmo muitos daqueles que não creem na revolução, adotaram uma visão de mundo amplamente marxista. A revolução, segundo Gramsci e outros teóricos, deve ser primeiro cultural e o PT faz isso.

Quanto a Marx, não quis dizer que isso fosse exclusividade dele; na época era comum. Mas citei o fato pelo fato de você, aparentemente, negar em seu comentário, qualquer viés racista em Marx (agora percebo que você tem consciência de que não é assim).

Quanto à inexistência de uma política de promoção do racismo nos países de governo marxista, isso é verdade (os muitos crimes cometidos por esses governos não se baseavam em racismo). A política dos regimes socialistas dentro de seus próprio territórios é de controle absoluto, o que não combina com a anarquia resultante de conflitos raciais.

Mas nos paises ainda não dominados pelo Partido, Lenin e outros propunham a criação de conflitos, ódios e desordens. È essa a visão do PT, esse é o motivo de sua ação. Eles sabem que a a estratégia gramscista ainda não se completou. Nessa fase, eles querem criar o máximo de ódio dentro da sociedade. É exatamente o que fazem as esquerdas norte-americanas nos EUA. Não é por confusão, ou por não querer o socialismo que o núcleo do PT quer promover o ódio racial. Lula tem sido orientado nesse sentido por intelectuais que creem que esse é um elemento importante para promover as "condições objetivas" para a implantação do poder total do Partido (que é muito mais do que apenas o PT).

Quanto às palavras esquerda e marxistas, as esquerdas não são todas marxistas (num sentido mais restrito) mas são todas úteis à criação do grande totalitarismo.

Quanto ao financiamento do racialismo (e outras cositas mais) por fundações americanas, isso é amplamente conhecido por nós, direitistas, há vários anos. O que talvez será uma surpresa para você é saber como foi financiada a revolução russa. Há bastante material sobre isso em outras línguas. Não peço que você acredite no que dizem os escritores direitistas, apenas pesquise as fontes deles. Você é uma pessoa inteligente, pesquise. Muita coisa não está em português, mas vale a pena.

O ponto central que eu quero colocar é que a política racialista do PT não é um engano, nem uma contaminação de idéias estranhas, é parte de uma estratégia que eles julgam (possivelmente com boa razão) vencedora. Se há realmente socialistas que querem opor-se ao racialismo, a primeira coisa é entender como o racialismo encaixa-se na estratégia geral de FHC e Lula. E como estes se encaixam na estratégia geral de formação de um governo mundial totalitário. Se quiserem atribuir todos os males aos não-socialistas, vocês continuarão criando gente como Stalin e Pol Pot.

Tenho de ir, mas amanhã eu posto mais.

MirandaMNS disse...

Caro Anônimo,

Infelizmente você olha para o mundo de forma maniqueísta.
Sinceramente, dizer:"Se há realmente socialistas que querem opor-se ao racialismo, a primeira coisa é entender como o racialismo encaixa-se na estratégia geral de FHC e Lula. E como estes se encaixam na estratégia geral de formação de um governo mundial totalitário."
É olhar um mundo de luta do "bem" contra o "mal". E com certeza as relações humanas são muito mais complexas que Lula e FHC organizarem um mundo totalitário.
Realmente esta afirmação é uma grande piada sociológica.

Algumas de suas afirmações estão desprovidas de conhecimento, vou a elas.

1- Sobre o "PT marxista" você utiliza uma declaração do José Genoíno, lhe informo que o José Genuíno abandonou o marxismo fazem 20 anos, deu um declaração enfática logo depois da queda do muro de Berlim, antes disso era de uma tendencia chamada PRC, que tinha origem no PCdoB.

2- Se você lesse a resolução do último congresso do PT poderia ler: " O Brasil deve desenvolver um mercado de massas, sustentável".

Reafirmo caro anônimo, o PT não é um partido marxista e os que se mantém fiéis á luta de classes e ao socialismo não estão ao lado dos racialistas.

Aprendiz disse...

Entendo o que você quer dizer. Sei que o PT abandonou CERTA forma de implantação do socialismo. Mas continua Marxista no sentido mais amplo, de sua visão de mundo e da implantação de uma ditadura no Brasil. Você dirá que não querem a implantação da ditadura do proletariado. Mas em todos os paises socialistas, a ditadura implantada sempre foi a de uma elite.

Mas não adianta ficar aqui debatendo isso, a questão principal, a respeito do racialismo é outra: Você acredita que o núcleo do PT está apenas enganado, ou isso faz parte da sua estratégia? Você sabe a minha opinião. Parece-me evidente que eles são muito espertos para terem simplesmente se enganado. É de caso pensado, e faz parte de uma estratégia maior.

Anônimo disse...

Só mais uma coisa. O que Genoino diz, não se escreve. A declaração dele, segunda a qual o PT é um partido leninista é mais recente que vinte anos. Não procuro coerência neles, a luta pelo poder parece a eles mais importante que a coerência. Eles dizem uma coisa para um público, outra diferente para outro público, e tudo passa batido. A estratégia que usam é a que lhes parece mais apropriada nas condições em que se encontram. Lula poderia ser como Fidel, Pol Pot, Chavez ou Stalin, se isso lhe parecesse o mais apropriado às condições objetivas. O objetivo principal é a construção de um poder absoluto. Como foi sempre o caso de todos os governos marxistas (no sentido amplo). No caso brasileiro, eles acham mais apropriado, no momento, a existência de um mercado de consumo grande. Se achassem apropriado matar metade da população, é o que fariam.