Defensoria do Rio terá primeiro concurso público com cotas para negros e indígenas
24/01/2012 - 14:41 | Fonte: Agência Brasil
A Defensoria do Estado do Rio de Janeiro vai destinar 20% das vagas do próximo concurso, a ser realizado em março, para negros e indígenas. O regulamento do concurso foi publicado hoje (24) no Diário Oficial do Governo do Estado. Os candidatos vão concorrer a 27 vagas e aqueles que se autodeclararem negros ou indígenas, se forem aprovados, terão vantagem em eventual empate, bem como se o número de aprovados passar do número de vagas.
O defensor público geral do Rio, Nilson Bruno, que é negro, acredita que a medida democratizará o acesso a um grupo que não tem condições financeiras para se preparar para um concurso como esse.
“Em um universo de 773 defensores, temos entre dez e 12 negros. Eu sou o único secretário de estado negro no Rio de Janeiro. Após menos de 200 anos de abolição da escravatura, os negros ainda não têm as mesmas condições [que os brancos] de disputar as carreiras jurídicas hoje. Por isso, precisamos dar um salto de qualidade nessas ações afirmativas para que essa desigualdade seja minimizada”, declarou o defensor.
Em junho do ano passado, o governador do Rio, Sérgio Cabral, assinou decreto que determina que todos os concursos públicos no estado reservem 20% de suas vagas para negros e indígenas.
Na opinião de Frei Davi, um dos fundadores do grupo Educafro, entidade de inclusão educacional de negros no país, a Defensoria do Rio se adianta e sai da meritocracia injusta, adotada pelas instituições públicas, que reforçam os erros históricos e sociais cometidos no país.
“A Defensoria do Rio está democraticamente servindo de exemplo para as demais defensorias do Brasil. É inaceitável que em um país com mais da metade da população composta de negros e pardos, que esses grupos tenham tão pouca representatividade nas instituições públicas”.
O representante do Educafro lembrou que, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 51% da população brasileira é afrodescendente. No entanto, menos de 2% dos defensores públicos são negros. O número de juízes e de promotores negros não chega a 1% na maioria dos estados brasileiros.
Ainda segundo o representante da Educafro, das mais de 180 universidades públicas que adotam políticas de ação afirmativa, 30 realizaram pesquisas que comprovam que os cotistas têm notas iguais ou superiores às dos demais alunos. “O Brasil está em processo de redescoberta e as organizações sérias, com esses resultados, certamente devem aumentar a percentagem para os cotistas”, afirmou Frei Davi.


7 comentários:
Oi Roberta, Quem são os 51% dos afrodescendestes? Pq, pelo que eu saiba, eram +-8% pretos e +-44% de pardos, e pardo não significa afrodescendente pois, se não me falha a memória, existem mulatos,cafuzos e caboclos(sendo estes descendestes de índios e brancos). Outra coisa, se para passar num concurso público é necessário "curso preparatório" isto pode significar uma falha ou falência do ensino superior?
Abs.
Oi Roberta, O Frei David afirma que os cotistas tem notas iguais ou superiores aos não cotistas (não duvido que sejam) mas em quais cursos? Qual a origem dos cotistas? São de zonas rurais ou urbanas? São de áreas com boa ou alguma infraestrutura? São de áreas com ou sem conflitos(ex. favelas)? Os pais trabalhm com carteira assinada ou não (renda fixa garantida por mês)? Acredito que estes fatores, apesar de expor de forma simplista, também são relevantes para saber se a análise de desempenho está correspondendo a realidade do país.
E quem sabe?
Bom, enviei alg8uns emails perguntando... Não recebi resposta até agora. Tenho certeza de que estão todos muito ocupados... nos últimos 7 meses.
Abs.
Tomando a seguinte proposição como verdadeira: "cotistas tem notas iguais ou superiores aos não cotistas" - e desconsiderando o fato de que inexistem dados de instituições isentas que comprovem sua veracidade -,então, fazendo uso de mero raciocínio lógico elementar, essa seria MAIS UMA PROVA de que os cotistas não precisam de cotas - já que, hipoteticamente, tiram notas superiores aos não cotistas...
Quanto a existência de X ou Y defensores públicos negros no Rio, não tenho essa informação. Porém, o próprio fato de o defensor público geral do estado ser negro já invalida completamente a necessidade de cotas raciais nesse tipo de concurso.
Logicamente, esse senhor contabiliza os pardos e mestiços - que formam a imensa maioria da população do Rio -, que estão DENTRO da Defensoria Pública como BRANCOS; disso não tenho a menor dúvida.
Eu entendo a lógica dessa gente: um estudante negro APROVADO no concurso "vira" branco e um negro reprovado "mantém" a sua condição de negro. A conta fecha!
Agora o que NINGUÉM comprovou até agora é que a proporcionalidade estatística seria SEMPRE A REGRA, sem nenhuma exceção, em todos os segmentos sociais.
A ser assim, precisamos de cotas raciais para brancos em times de futebol também. Já que os brancos formam quase 48% da população, segundo os últimos dados do IBGE, quero 48% de jogadores brancos na seleção brasileira. Será que os brancos estão sofrendo racismo nos times de futebol? Acho que o Frei David deveria averiguar isso...
Quanto às cotas para deputados na Câmara, o Reinaldo já havia escrito um excelente texto a respeito dos cotralhas (cotistas + petralhas) aqui:
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/petista-agora-quer-criar-cotas-raciais-na-camara-e-nas-assembleias-em-nome-da-igualdade-racial-ele-propoe-o-fim-da-democracia/
E cadê o Frei David para protestar contra esse caso aqui?
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/a-burguesia-enraivecida-da-%e2%80%9cvoadora%e2%80%9d-em-preto-pobre-que-trabalha/
Manda um e-mail pra ele, Roberta,
e pergunta por que ele ainda não veio a público para denunciar o manifestante petista acima.
Ele não apareceu pra falar bobagem no caso da invasão da USP pelos militantes petistas? Está na hora de o Frei David provar que é uma pessoa isenta, que não está a serviço de um "certo" partido...
Dra. Roberta, o texto está com a margem direita levemente cortada. Além disso, lembro-me bem de que, no final do ano passado, você nos prometeu grandes novidades na luta contra as cotas raciais no Rio de Janeiro. Na época, você não nos quis revelar para não "macumbar". Espero, sinceramente, que não tenha "macumbado". Sei como é cansativo lutar por qualquer causa nesse país. Não importa o quão importante e legítima ela seja, sempre vai aparecer alguém para tirá-la do contexto e questionar o que de fato nos move. A sua persistência, Dra. Roberta, é uma inspiração para todos nós. Um abraço!
Caro Anônimo....
Infelizmente macumbou geral. Eu vou postar aqui explicando o que aconteceu para vocês....
beijos
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