http://topicosjuridicos.wordpress.com/2012/02/07/sou-preto-nem-por-isso-concordo-com-as-cotas-raciais/
SOU PRETO*, NEM POR ISSO CONCORDO COM AS COTAS RACIAIS!
Ontem me deparei com a notícia de que o TRF da 5ª Região decidiu pela constitucionalidade do Sistema de Cotas Raciais da UFAL. De imediato surgiu a ideia de escrever algum post sobre o tema, pois muito se discute sobre tais sistemas mas, na maioria das vezes, vejo a utilização de argumentos insustentáveis perante uma análise jurídica imparcial (afastada de ideologias e mágoas históricas). Contudo, após observar discussão do competente advogado Rodrigo Lago , no Twitter, sobre o tema, fui instado por ele a participar de Grupo no Facebook dedicado ao Direito Constitucional e Eleitoral.
Lá, pude observar e participar da continuidade da discussão e, finalmente, vislumbrar a participação de pessoas com um posicionamento que considero muito mais coerente e racional, tomando-se como base o direito vigente em nosso país. Uma destas pessoas, com quem tive a oportunidade de trocar algumas ideias, é a Procuradora do Distrito Federal, Roberta Fragoso Kaufmann, ferrenha defensora das cotas sociais, que faz, neste vídeo, uma brilhante exposição dos motivos pelos quais também entendo este sistema (de cotas sociais) muito mais um reflexo das chamadas “Ações Afirmativas” que o modelo discriminatório que divide o país em raças. Confiram:
* Embora muitos encarem como ofensivo ou pejorativo, sou da raça humana e, em se tratando de cor, a minha é preta e eu gostaria muito de ver, um dia, as cores: negra, morena ou parda. Alguém sabe onde encontrá-las?
P.S.: Este é o meu ponto de vista, qualquer um está livre para discordar. Peço apenas que considere o dever de respeitar a opinião diferente da sua, caso deseje deixar algum comentário.
5 comentários:
Não tem motivos para agradecer. Foi um prazer!
Menino, eu apanho tanto que de vez em quando um carinho é bom!!!
Obrigada!
Ola, Roberta,
Acabo de descobrir esse seu espaço.
E gostei muito do que li até agora.
Assisti ao vídeo e adorei ouvir um discurso com o qual eu concordo, enfim. Parabéns!
Oi, Lili!
Seja benvinda!!!
Beijos!
Roberta
Boa a prospota do blog, este é um tema que precisa ser esgotado.
Deixe-me colocar minha "colher suja no tema" que me interessa:
01- A tese da não-racialização proposta por você é uma relativização perigosa, e como toda e qualquer relativização absoluta carrega em si uma forma de autoritarismo (não se ofenda, por favor), justamente e paradoxalmente, tentando combater outra aberração: o racismo.
02- Em primeira mão, é preciso entender que políticas públicas, questões de Estado, sua ação legislativa e executiovas, e a própria sociedade, que buscam regrar, ajustar e disciplinar nosso convívio obedecem a categorias e cortes. Assim também são os variados ramos do conhecimento: Estudo e classificação.
Logo impossível estudar economia sem determinar classes sociais e suas interações, como seria impossível a antropologia, geografgia e outras ciências huamanas que nos estudam(humanos) e nossa relação com o espaço(antrópico)sem classificar raças, gêneros, território, etc.
Veja bem, delimitar tais parâmetros não é legitimar diferenças e desiguladadades (injustiças), mas deixar de enxergar que existem tais assimetrias e que, em vário casos, a cor da pele, o endereço ou classe social, ou tudo isto junto, significam mais ou menos "direitos", e tal miopia, por mais contraditório que pareça, acaba por manter intacatas estas injustiça que busca honestamente combater.
03- Como políticas afirmativas, as "cotas" não são um fim em si mesmas, e nem podem ser.
São o reconhecimento, em uma metáfora pobre que uso, que um negro e um branco neste país, se forem chamados a cortar uma mesma árvore, ao primeiro será dado um canivete e ao outro uma motosserra. E a sociedade que lhes deu instrumentos distintos ainda esperam resultados idênticos, mas como sabemos impossível, em regra, destacamos algumas exceções bem sucedidas como se factíveis a média comum, construindo assim o mito tão caro as TVs e alguns analistas: O preto vencedor que a tudo supera!
04- A ação afirmativa é o reconhecimento constitucional(celebrado em nossa CRFB)que aos desiguais devemos tratamento desigual(isonomia).
05- Nossos dados são alarmantes e tem corte de classe e de cor: pretos são a maioria esmagadora dos presos, dos mortos pro crimes violentos dolosos(homicídios), tem mesmos empregos e ganham menos, ocupam(ou ocupavam até bem pouco tempo atrás)a minoria das cadeiras das universidades, etc, etc, etc.
No mais, encerro por aqui, e mais uma vez louvo sua coragem de abrir este espaço para tão delicado tema.
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